sábado, 20 de abril de 2013

Hacai

Uma vez rabisquei
Um papel de poema
Hoje sei, errei

A viagem de ônibus e o amigo indesejado.


Acontece com todo mundo (entre aqueles que pegam ônibus). Normalmente é na ida, a caminho da escola, da faculdade, do trabalho. Digo que é na ida, porque na volta normalmente estamos cansados e com preguiça mental tal que pouca coisa importa, senão chegar em casa.

Você entra no ônibus, paga a passagem e em meio aos Joãos e as Marias – que estão sempre lá no ônibus nosso de cada dia – você encontra aquele amigo de outrora, aquele amigo da época do ensino médio, aquele melhor colega da época do estágio, ou o amigo da época que você ia pra igreja, enfim, um ‘ex-amigo’.

O que você queria fazer era cumprimenta-lo e sentar-se em um lugar onde não teria ninguém pra incomodar, onde só estivesse você e seus pensamentos, com espaço para no máximo e apenas seu fone ouvido e suas músicas. Entretanto a cadeira do lado deste ‘ex-amigo’ está vazia e é lá que você se senta.

- Meu deus quanto tempo! [Exclama]

- Que saudade. [Mentira].

- Como tá todo mundo lá?

Mais umas três ou quatro perguntas e cessa o mendigo diálogo. E isso antes de passar três pontos de ônibus, nem um quinto da viagem concluída.

Pronto. Chegou ao estágio mais chato da viagem. Não tem mais assunto. Olha-se pra um lado, olha-se pro outro lado...

Confesse isso já aconteceu com você!

Uns mais desinibidos inventam assuntos e conseguem fazer uma viagem tranquila com a companhia inesperada. Outros, assim como eu, não conseguem. Peço licença, coloco o fone de ouvido e volto Aos Vivos de Chico César, que a essa altura já lamenta a morte do pai de Benazir.